A reader lives a thousand lives before he dies, said Jojen. The man who never reads lives only one. (George R. R. Martin)

domingo, 9 de novembro de 2014

TAG: Cães Literários


Há muito tempo que não respondia a uma TAG. Por isso, em conversa com o José (O Blog de um tal José), e apesar de ele não me ter tagueado, ele sugeriu (quase me obrigou) que respondesse a esta ;)
Assim, hoje resolvi aceder ao pedido e estão aqui as minhas respostas...

Shin Tzu: um livro que leste porque estava na moda


Não só este primeiro volume, mas toda a trilogia... Daqueles livros que li para poder ter a minha própria opinião, já que toda a gente falava deles.

Pitbull: um livro que ainda não leste ou que demoraste a ler porque te intimidava


Não é que me intimide, mas já tentei ler a trilogia e não consigo passar das primeiras páginas :( Não sei se é por ter visto os filmes e já conhecer a estória, ou por ser um tanto ou quanto descritivo. A verdade é que não consigo ler O Senhor dos Anéis :(

Pinsher: um livro que teve muita fama quando foi lançado mas que não fez juz às expectativas


Com este livro começaram as minhas desilusões em relação a Dan Brown :(

Rafeiro: um livro que não é muito conhecido, mas que é um dos teus favoritos


Foi com esta edição que o conheci, mas este livro foi recentemente reeditado por outra editora e com uma capa bem diferente. Espero que se torne bastante mais conhecido a partir de agora, pois é um dos melhores romances históricos que li até hoje!

Pastor Alemão: um livro que não emprestas a ninguém

Eu sei que me vou repetir, mas não empresto a ninguém o livro da resposta anterior. Foi um livro que me acompanhou em várias situações e que está autografado. Para além disto, e por ter sido tantas vezes relido, já não está nas melhores condições, o que só iria agravar o seu estado se andasse a passear de casa em casa...

Daschund: um livro que tem muito corpo para pouca perna porque tem muita palha



Este livro foi uma desilusão! Se tivesse menos trezentas páginas não se perdia nada e a estória seria a mesma...

Labrador: a tua melhor recordação de infância



Não há TAG onde eu não consiga encaixar Harry Potter!
Este foi o primeiro livro da série que eu li. Ao contrário do que é suposto, não comecei pelo primeiro mas sim pelo terceiro... E só depois li o primeiro...


Espero que tenham gostado dos meus cães literários ;)

Não vou taguear ninguém, mas quem quiser responder pode levar. Avisem-me para ver as respostas depois ;)

sábado, 8 de novembro de 2014

Misery



Porque o argumento e o momento crucial da intriga de Carros Velozes implicava o acidente muito grave de Tony Bonasaro no seu último e desesperado esforço para escapar à Polícia (o que conduzia ao epílogo, o interrogatório de Tony, no seu quarto de hospital, efectuado pelo parceiro do falecido tenente Gray), Paul tinha entrevistado um certo número de vítimas de acidentes de estrada. E havia obtido sempre a mesma resposta. As formas diferiam, em verdade, mas no fim de contas chegava sempre ao mesmo ponto: Recordo-me de ter entrado na viatura, e recordo-me de ter acordado aqui, mas de nada do que se passou entre esses dois tempos.
Porque infelicidade não lhe acontecera a ele o mesmo?
Porque os escritores se lembram de tudo, Paul. Em particular o que os faz sofrer. Põe um escritor em pelo, dá-lhe voltas a todas as cicatrizes, e ele contar-te-á em pormenor a história da mais pequena delas. As grandes estão na origem dos romances, mas não a amnésia. É da maior utilidade ter um pouco de talento para se tornar escritor, mas a única coisa absolutamente indispensável é a capacidade de se lembrar da origem da menor cicatriz.
A arte é a persistência da memória.

Depois de me ter rendido à fantasia, de devorar policiais e thrillers e de ter passeado um pouco pelo suspense e sobrenatural, tinha de experimentar o terror... 
E nada melhor que o mestre Stephen King para estreia!

Já há algum tempo que tinha curiosidade em ler qualquer coisa deste senhor e depois de uma pesquisa percebi que este era um dos melhores cotados e também daqueles que mais me recomendaram...

Fiquei completamente rendida! A escrita é simples e fluída e prende-nos de tal forma que damos por nós a temer a próxima conversa entre os protagonistas ou a desejar que ele se consiga libertar da prisão em que ela o mantém. 
Amei, na parte inicial (onde é mais visível), os parágrafos começados com os pensamentos Paul mas que depois seguiam os de Annie e mais tarde voltavam a Paul, sempre com assuntos completamente diferentes mas ligados entre si.

O final, apesar de ser um tanto ou quanto previsível, transporta-nos a uma cruel realidade e fica-se a pensar até que ponto uma pessoa pode viver traumatizada após enfrentar situações de perigo extremas. 

Sem dúvida, um livro cinco estrelas e um autor que merece que lhe dê mais "tempo de antena" por aqui, o que se traduz em mais leituras ;)

Recomendo!

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

7 on 7 Novembro


7 Blogs, durante 7 meses no dia 7 vão publicar
7 fotografias de um determinado tema

Mais um mês que passou, outro dia 7 que chegou... 
E trouxe de volta o 7 on 7! :)

Desta vez, com um tema de que gosto particularmente:





Ilha da Madeira



Lagoa das Sete Cidades (S. Miguel, Açores)




Lagoa do Fogo (S. Miguel, Açores)



Troia (Setúbal)



Floresta Negra (Alemanha)



Interlaken (Suiça)



St. James Park (Londres, Reino Unido)


sexta-feira, 24 de outubro de 2014

A Segunda Pele da Acácia Mimosa

Não sei quanto tempo fiquei assim neste adormecimento interior que me despertou. O tempo deixou de existir desde que aqui entrei, mas a resposta surgiu, do silêncio que se implantou cá dentro. Dedicar-me a quê foi a pergunta, cuja simples e límpida resposta surgiu naturalmente. Como nunca tinha visto isto?! Ajoelho-me sobre a madeira rígida do banco da frente, que neste momento parece uma doce nuvem suave, e agradeço profundamente esta iluminação interior. Obrigada! Obrigada! Obrigada! O sal alegre penetra-me nos lábios agradecidos do âmago. Ofereço os olhos às iluminadas clarabóias com as duas mãos agradecidas, uma sobre a outra, sobre este novo sentir do palpitar. Obrigada, digo em voz baixa.
(...)
Não sei como consegui ficar tanto tempo desligada de mim, como se tivesse vivido estes anos todos em estado de coma, inconsciente de quem sou. A minha mente viveu meia perdida. Como é tão simples ser como nasci para ser! Sorrio genuinamente e com suavidade para aqueles que se cruzam comigo. Se soubessem o que descobri! Detenho-me à saída, a olhar para trás, para os inúmeros feixes de luz. Obrigada mais uma vez. Renasci aqui, na Sagrada Família, onde Gaudí descansa na sua morte, ao mesmo tempo que a sua obra continua por si e sobre si. 

Este livro veio para às minhas mãos sem eu estar à espera, e revelou-se uma surpresa muito agradável :) 
Obrigada Ana Gil Campos pelo email!

Quando comecei a ler, precisava de mudar de género literário. Precisava de um livro leve e que me proporcionasse uma leitura rápida. Estava longe de imaginar o quão rápida iria ser... (Levei cerca de 4 horas a devorar as 170 páginas do livro!

No início, confesso, que fiquei um pouco confusa em relação à sinopse, mas à medida que fui avançando nas páginas fui compreendendo tudo. A turbulenta mente de Sara fascinou-me por completo e a sua luta interior comoveu-me. A sua viagem a Barcelona fez-me também viajar por uma cidade da qual gostei muito e revisitar locais há muito gravados na memória. 

A escrita da Ana é bastante fluida e simples mas nem por isso deixa de ter a sua complexidade. Os conhecimentos de arquitetura e da maçonaria estão muito bem descritos e não são nada maçadores, muito pelo contrário. Fizeram com que ficasse ainda mais curiosa quer em relação ao desfecho da estória, quer em relação aos próprios temas em si.

Aconselho! É, sem sombra de dúvida, uma ótima aposta num novo talento da escrita em português!

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

No Limiar da Eternidade (Trilogia: O Século Livro 3)


Walli e Lili entraram no quarto. Ficaram parados à porta, a olharem a irmã mais velha como se ela se tivesse transformado numa pessoa diferente, o que provavelmente era verdade.
— Casaste te por ordem da Stasi! — gritou Rebecca da janela. — Qual de nós é o louco? — Atirou o outro sapato e falhou.
Lili perguntou num tom atemorizado: — Que estás a fazer?
Walli sorriu e disse: — Que loucura, pá.
Lá fora, dois transeuntes pararam para ver, e um vizinho surgiu à porta, contemplando a cena, fascinado. Hans mirou os, furioso. Era um homem orgulhoso e angustiava o fazer figura de parvo em público.
Rebecca olhou em volta, procurando outra coisa para lhe atirar, e o seu olhar caiu no modelo de fósforos da Porta de Brandeburgo.
Estava colocado sobre uma prancha de contraplacado. Era pesada, mas ela aguentava.
Willi exclamou: — Oh, ena pá!
Ela levou o modelo até à janela.
Hans gritou: — Não te atrevas! Isso pertence me!
Ela pousou a base de contraplacado no peitoril. — Arruinaste me a vida, seu rufia da Stasi! — gritou.
Uma das mulheres ali paradas riu se, numa gargalhada desdenhosa e trocista que se sobrepôs ao som da chuva. Hans corou de raiva e olhou em redor, tentando identificar a fonte, mas não conseguiu. Ser alvo de chacota era para ele a pior forma de tortura.
Rugiu: — Tira daí esse modelo, cabra! Trabalhei nele durante um ano!
— O mesmo tempo que eu dediquei ao nosso casamento — retorquiu Rebecca, erguendo o modelo.
Hans berrou: — Estou a dar te uma ordem!
Ela passou o modelo pela janela e largou o.
Este virou se em pleno voo, fazendo com que a prancha ficasse por cima e a quadriga por baixo. Pareceu levar uma eternidade a cair, e Rebecca ficou como que suspensa num momento do tempo. Depois, o modelo bateu no pátio calcetado da frente, com um som de papel a ser amachucado. Desintegrou se, e os fósforos projetaram se numa espécie de onda. Caíram, então, no empedrado molhado e ali ficaram, formando um círculo raiado de destruição. A prancha quedou se no chão, tudo o que continha desfeito em nada.
Hans ficou a olhar por um longo momento, a boca aberta de choque.
Recompôs se e apontou um dedo a Rebecca. — Escuta bem — disse numa voz tão fria que, de súbito, a deixou assustada —, vais arrepender te, garanto te. Tu e a tua família. Vão arrepender se para o resto da vida. Juro te.

Depois entrou no carro e foi se embora.

Depois de meses de espera, o tão aguardado final da trilogia O Século chegava finalmente... Não só por ser um dos meus autores de eleição, mas também por ter devorado por completo os volumes anteriores (apesar do seu tamanho), as expectativas para este último estavam elevadíssimas. 

Tal como os anteriores, também este foi completamente devorado (apesar das mais de mil páginas), aproveitando todos os momentos disponíveis para ler um bocadinho. Contudo, chegando ao final fiquei um bocadinho àquem das expectativas iniciais, facto que se foi desenvolvendo a partir dos 2/3 do livro. Se nos volumes anteriores acompanhávamos os personagens nas suas vidas quotidianas e estas estavam interligadas com os momentos históricos e chave do século passado, neste fiquei com a sensação que o autor tinha escolhido os momentos que ia incluir na narrativa e depois colocou lá este ou aquele personagem. 
Claro que o período da Guerra Fria é muito superior quer ao da I Guerra Mundial, quer da II, mas mesmo assim estava à espera de uma abordagem diferente... (Também percebo que incluir num livro acontecimentos de trinta anos de História é uma tarefa praticamente impossível).

Outra coisa que me deixou um pouco desiludida foi o facto de não se conhecer o desfecho de todos os personagens. Parece que alguns ficaram esquecidos no meio de tantas páginas e tanta política :(

É importante realçar que grande parte do livro decorre na década de 1960 e centra-se nas relações políticas nos EUA e URSS, com todas consequências boas ou más que daí resultaram. Um dos melhores momentos descritos é, sem dúvida, o discurso de Martin Luther King, I have a dream, nos degraus de Lincoln Memorial em Washington, em Agosto de 1963. 
Também o impacto que os loucos anos 60 e 70 tiveram nos jovens (sexo, drogas e rock'n'roll) foi bem feito, mostrando como a música e a política andam muitas vezes de mãos dadas. No entanto, depois foi-se perdendo um pouco o contacto com este estilo de vida e estas personagens, o que foi pena.

Apesar destes pequenos pormenores que me deixaram um sabor um tanto ou quanto agridoce, é um excelente livro e recomendo vivamente toda a trilogia (apesar do tamanho assustador dos três volumes). 
Há que ter em conta, tal como o próprio Follett me disse, que "foi uma trilogia difícil. Havia muita História a considerar antes de pensar nos personagens e eu estava determinado a não escrever um livro aborrecido".