A reader lives a thousand lives before he dies, said Jojen. The man who never reads lives only one. (George R. R. Martin)
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quarta-feira, 8 de abril de 2015

O Grande Amor da Minha Vida - O Cavaleiro de Bronze (Trilogia: Tatiana & Alexander Volume I)


Em criança, num verão passado em Luga, o seu querido Deda dissera-lhe ao vê-la deprimida e desnorteada:
- Responde a três perguntas,Tatiana Metanova, e saberás quem és. São elas: Em que acreditas? Em que confias? Mas mais importante: Que amas?
Levantou o rosto para Alexander:
- Como era Shura? Na primeira noite, disseste que eu e tu tínhamos alguma coisa, a que chamaste...
- A força do amor.
«Sei quem sou», pensou, dando-lhe a mão e virando-se para o altar. «Sou a Tatiana. E acredito, confio e amo o Alexander para toda a vida.»
(…)
- Então? Ainda achas que devia ter sido o conservador do registo civil a casar-nos? - Sorrindo de orelha a orelha: - Ele mais a sua filosofia das «faculdades mentais»?
Tatiana abanou a cabeça:
- Tinhas toda a razão. Foi perfeito. Como sabias?
- Porque foi Deus que nos uniu. Esta foi a nossa maneira de Lhe agradecermos.

Chego ao final deste livro e tenho uma certeza absoluta: adiei a sua leitura durante demasiado tempo! Toda a polémica em redor da publicação desta trilogia em Portugal fez-me pensar se queria ou não partir para a sua leitura, visto que não teria, à partida, o desfecho da história. É que só por ser um Romance Histórico era meio caminho andado para me deixar completamente colada às suas páginas...

Romance Histórico. II Guerra Mundial. Rússia. 
É um facto que adoro este género literário e o período que envolve a II Guerra Mundial, com todo o seu horror envolvente desperta-me bastante a curiosidade. A cereja no topo do bolo, neste caso, foi o facto de não ter muito conhecimento a respeito da vida russa neste período. Ok, o Comunismo marcava o país, as pessoas eram demasiado pobres e foram bastante privadas de tudo durante a Guerra, mas isso são dados adquiridos. Faltava-me uma certa realidade.

Tatiana e Alexander conhecem-se, numa paragem de autocarro de Leninegrado, no fatídico dia em que a Rússia entra na Guerra (22 de Junho de 1941) e, por ironia do destino (ou não), as suas vidas nunca mais serão as mesmas. 

Guerra, sofrimento, fome, morte, amor e esperança... 
São mais de seiscentas páginas em que tudo isto está presente de forma mais ou menos intensa e que nos transportam até estes anos de sofrimento mas em que é notório que as pessoas precisavam de ter algo a que se agarrar para continuar a viver. Era preciso acreditar, numa terra de comunistas onde se rejeitava por completo a presença de uma entidade superior, que a vida tinha de continuar e que era possível ultrapassar os dias negros...

Aos poucos fui-me apaixonando pela inocente Tatiana e pelo determinado Alexander. São personagens fictícias, mas que me fizeram pensar se não haverá perdidos na História algumas Tatianas e Alexanders que lutaram contra tudo e contra todos, até mesmo a própria morte, para poderem viver o seu amor...

Quero muito terminar a trilogia e conhecer o desfecho da vida deste casal! 

Recomendo! Aos amantes do Romance Histórico, sem dúvida, e a todos os outros que queiram conhecer uma estória de amor e esperança muito bem contada.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

1Q84 - Livro 1


     (...) O melhor que tenho a fazer é dar um nome adequado a esta nova situação em que me encontro. É necessário pôr-lhe um nome próprio, além do mais, a fim de distinguir entre este mundo presente e o mundo de antes, em que os polícias andavam com revólveres dos antigos. Se até os cães e os gatos precisam de um nome, um novo mundo, transformado, também.

     1Q84: é assim que vou chamar a este novo mundo, decidiu Aomame.
    Q é a letra inicial da expressão «question mark», o signo de qualquer coisa carregada de interrogações. 
     Aomame assentiu com a cabeça enquanto prosseguia o seu caminho.

Tinha este livro na minha estante há muito tempo e, apesar de ter muita curiosidade em relação a esta trilogia, continuava a adiar esta leitura. 

Quando me decidi, finalmente, a pegar-lhe tive várias surpresas. Em primeiro lugar, era a minha estreia com o escritor e estava curiosa, não só pela sua escrita mas pelo facto de já ter sido, por diversas vezes, favorito ao Nobel da Literatura. Contudo, tinha receio de ser um livro um tanto ou quanto aborrecido e de leitura lenta. Mas tal não se verificou, muito pelo contrário.

Gostei dos capítulos alternados das personagens, pois vamos acompanhando os dois simultaneamente. Mas por diversas vezes quis continuar a ler sobre Aomame ou Tengo, no seguimento de alguns acontecimentos, e tinha de deixar tudo em stand by e regressar ao outro. Este facto contribuiu bastante para que lesse o livro mais rapidamente.

Chegada ao final, ficaram muitas questões em aberto no ar e espero que, de uma forma ou outra, os caminhos dos dois se cruzem. 

Estou ainda mais curiosa em relação aos outros livros da trilogia e espero lê-los em breve. 

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

No Limiar da Eternidade (Trilogia: O Século Livro 3)


Walli e Lili entraram no quarto. Ficaram parados à porta, a olharem a irmã mais velha como se ela se tivesse transformado numa pessoa diferente, o que provavelmente era verdade.
— Casaste te por ordem da Stasi! — gritou Rebecca da janela. — Qual de nós é o louco? — Atirou o outro sapato e falhou.
Lili perguntou num tom atemorizado: — Que estás a fazer?
Walli sorriu e disse: — Que loucura, pá.
Lá fora, dois transeuntes pararam para ver, e um vizinho surgiu à porta, contemplando a cena, fascinado. Hans mirou os, furioso. Era um homem orgulhoso e angustiava o fazer figura de parvo em público.
Rebecca olhou em volta, procurando outra coisa para lhe atirar, e o seu olhar caiu no modelo de fósforos da Porta de Brandeburgo.
Estava colocado sobre uma prancha de contraplacado. Era pesada, mas ela aguentava.
Willi exclamou: — Oh, ena pá!
Ela levou o modelo até à janela.
Hans gritou: — Não te atrevas! Isso pertence me!
Ela pousou a base de contraplacado no peitoril. — Arruinaste me a vida, seu rufia da Stasi! — gritou.
Uma das mulheres ali paradas riu se, numa gargalhada desdenhosa e trocista que se sobrepôs ao som da chuva. Hans corou de raiva e olhou em redor, tentando identificar a fonte, mas não conseguiu. Ser alvo de chacota era para ele a pior forma de tortura.
Rugiu: — Tira daí esse modelo, cabra! Trabalhei nele durante um ano!
— O mesmo tempo que eu dediquei ao nosso casamento — retorquiu Rebecca, erguendo o modelo.
Hans berrou: — Estou a dar te uma ordem!
Ela passou o modelo pela janela e largou o.
Este virou se em pleno voo, fazendo com que a prancha ficasse por cima e a quadriga por baixo. Pareceu levar uma eternidade a cair, e Rebecca ficou como que suspensa num momento do tempo. Depois, o modelo bateu no pátio calcetado da frente, com um som de papel a ser amachucado. Desintegrou se, e os fósforos projetaram se numa espécie de onda. Caíram, então, no empedrado molhado e ali ficaram, formando um círculo raiado de destruição. A prancha quedou se no chão, tudo o que continha desfeito em nada.
Hans ficou a olhar por um longo momento, a boca aberta de choque.
Recompôs se e apontou um dedo a Rebecca. — Escuta bem — disse numa voz tão fria que, de súbito, a deixou assustada —, vais arrepender te, garanto te. Tu e a tua família. Vão arrepender se para o resto da vida. Juro te.

Depois entrou no carro e foi se embora.

Depois de meses de espera, o tão aguardado final da trilogia O Século chegava finalmente... Não só por ser um dos meus autores de eleição, mas também por ter devorado por completo os volumes anteriores (apesar do seu tamanho), as expectativas para este último estavam elevadíssimas. 

Tal como os anteriores, também este foi completamente devorado (apesar das mais de mil páginas), aproveitando todos os momentos disponíveis para ler um bocadinho. Contudo, chegando ao final fiquei um bocadinho àquem das expectativas iniciais, facto que se foi desenvolvendo a partir dos 2/3 do livro. Se nos volumes anteriores acompanhávamos os personagens nas suas vidas quotidianas e estas estavam interligadas com os momentos históricos e chave do século passado, neste fiquei com a sensação que o autor tinha escolhido os momentos que ia incluir na narrativa e depois colocou lá este ou aquele personagem. 
Claro que o período da Guerra Fria é muito superior quer ao da I Guerra Mundial, quer da II, mas mesmo assim estava à espera de uma abordagem diferente... (Também percebo que incluir num livro acontecimentos de trinta anos de História é uma tarefa praticamente impossível).

Outra coisa que me deixou um pouco desiludida foi o facto de não se conhecer o desfecho de todos os personagens. Parece que alguns ficaram esquecidos no meio de tantas páginas e tanta política :(

É importante realçar que grande parte do livro decorre na década de 1960 e centra-se nas relações políticas nos EUA e URSS, com todas consequências boas ou más que daí resultaram. Um dos melhores momentos descritos é, sem dúvida, o discurso de Martin Luther King, I have a dream, nos degraus de Lincoln Memorial em Washington, em Agosto de 1963. 
Também o impacto que os loucos anos 60 e 70 tiveram nos jovens (sexo, drogas e rock'n'roll) foi bem feito, mostrando como a música e a política andam muitas vezes de mãos dadas. No entanto, depois foi-se perdendo um pouco o contacto com este estilo de vida e estas personagens, o que foi pena.

Apesar destes pequenos pormenores que me deixaram um sabor um tanto ou quanto agridoce, é um excelente livro e recomendo vivamente toda a trilogia (apesar do tamanho assustador dos três volumes). 
Há que ter em conta, tal como o próprio Follett me disse, que "foi uma trilogia difícil. Havia muita História a considerar antes de pensar nos personagens e eu estava determinado a não escrever um livro aborrecido".

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

O Inverno do Mundo (Trilogia: O Século Livro 2)


Olhou pela janela estilhaçada. Na rua, juntava-se uma pequena multidão. Entre os espetadores, viam-se dois polícias a conversar. Carla gritou-lhes: - Socorro! Socorro! Polícia!
Eles viram-na e riram-se, o que a enfureceu. A fúria abrandou-lhe o medo, e olhou de novo para fora do gabinete. O seu olhar pousou no alarme de incêndio da parede. Ergueu a mão e agarrou a alavanca.
Hesitou, pois não se devia acionar o alarme a não ser em caso de fogo. Na parede, um aviso recordava as pesadas penas.
Puxou na mesma a alavanca.
Por um momento, nada aconteceu; talvez o mecanismo não funcionasse.
Em seguida, ouviu-se uma buzina sonora e áspera, cujo som subia e descia, enchendo o edifício.
Quase imediatamente, as pessoas da Sala de Conferências apareceram ao fundo do corredor, encabeçadas por Jochmann. - Que diabo se passa? - questionava, irado, gritando por cima do som do alarme.
Um dos Camisas Castanhas declarou: - Este pasquim judeu e comunista insultou o nosso líder e vamos fechá-lo.
- Saia já do meu escritório!
O Camisa Castanha ignorou-o e entrou noutro gabinete. Logo em seguida, ouviu-se um grito de mulher e um estrépito que parecia uma secretária de metal a ser virada.
Jochmann virou-se para um colaborador: - Schneider, chama imediatamente a polícia!
Carla sabia que isso de nada serviria, a polícia já ali estava e não agia.
(...)
Carla apercebeu-se de duas pessoas ali perto. Ergueu o olhar e viu uma mulher aproximadamente da idade da mãe, muito bonita, com um ar de autoridade. Conhecia-a, mas não conseguia identificá-la. A seu lado, via-se um rapaz com idade para ser seu filho. Era magro, não muito alto, mas fazia lembrar uma estrela de cinema. Tinha um rosto bonito, que podia quase ser considerado demasiado belo, não fora o nariz esborrachado e torto. Os recém-chegados pareciam chocados e o rapaz estava pálido de fúria.
A mulher foi a primeira a falar, usando a língua inglesa: - Olá, Maud – saudou. A voz era vagamente familiar a Carla. - Não me reconheces? - prosseguiu. - Sou a Eth Leckwith, e este é o Lloyd.

Absolutamente fantástico!

Ao contrário do volume anterior, que me desiludiu um pouco no final, este manteve-me agarrada da primeira à última página. 

Existe um salto de cerca de dez anos e encontramos agora as crianças já crescidas e vamos deixando um pouco de parte a vida dos pais, que tão bem conhecíamos, para os acompanhar a eles (os que já tinham nascido no livro anterior e os que nasceram entretanto). Continua a ser óbvio que, apesar de serem família oriundas de diversos países (Rússia, Inglaterra, Alemanha e EUA) todos têm ligações em comum e mais cedo ou mais tarde dão-se encontros que seriam de certo modo impensáveis (mas já sabemos que o sr. Follett é perito em tornar possível o impossível...).

sábado, 18 de janeiro de 2014

Cidade Inquieta (Jonathan Stride #2)


Muito em breve, iria poder desfrutar daquele estilo de vida em qualquer parte do mundo. Acabavam-se as salas de espectáculos húmidas de suor e com coristas amadoras. Acabava-se a prostituição dissimulada. Decidira fugir meses atrás. Aquela era a última noite. No dia seguinte estaria livre.
Perguntava a si mesma se iria ter saudades daquilo — do poder que sentia no palco, do desejo nos olhos dos homens quando gritavam o seu nome: «Amira!»
Amira Luz. A beldade espanhola de pele escura e olhos provocantes. O cabelo comprido e acetinado. O nariz angulado como uma lâmina. O corpo cheio de curvas sensuais. Amira Luz — a deusa do Sheherezade.
Sim, iria ter saudades. Estava em Las Vegas, onde tudo era sensual. A voz de Sinatra. Os diamantes no pescoço de uma mulher. Até o fumo de um cigarro acabado de acender. Podia bambolear-se pelos casinos e ouvir os murmúrios espalhar-se atrás de si. Em Las Vegas, era uma estrela. Se abandonasse as luzes da ribalta, não poderia voltar. Mas deixaria de ser uma prisioneira.


Depois de Segredos Imorais me ter deslumbrado pela simplicidade da escrita e a capacidade de nos surpreender e agarrar a todo o enredo, estava ansiosa por viajar por esta Cidade Inquieta.



Com o mesmo estilo e as mesmas divisões (quatro partes), pois costuma dizer-se que "em equipa que ganha não se mexe", Freeman transporta-nos até à cidade do pecado e deixa-nos envolvidos num misterioso crime que aconteceu há mais de quarenta anos mas que continua por explicar e com umas quantas pontas soltas...

Não sei porquê, mas desta vez não estava tão desperta para os pormenores lançados ao longo do livro ou então eles pura e simplesmente não estavam lá, e foi uma completa surpresa perceber o que realmente tinha acontecido em 1967. 

Contudo, desta vez, a conclusão do crime e o desmascarar do principal suspeito pareceram-me um pouco exaustivos, com muitas repetições dos nomes das personagens ao longo do texto o que, a certa altura, me deixou um pouco perdida.

terça-feira, 8 de outubro de 2013

A Glória dos Traidores (Crónicas de Gelo e Fogo #6)

Na manhã do terceiro dia, os portões da cidade abriram-se e uma fileira de escravos começou a sair. Dany montou a prata para ir ao seu encontro. Ao passarem, a pequena Missandei foi-lhes dizendo que deviam a liberdade a Daenerys Nascida na Tormenta, a Não-Queimada, Rainha dos Sete Reinos de Westeros e Mãe de Dragões.
- Mhysa! - gritou-lhe um homem de pele castanha. Trazia uma criança ao ombro, uma rapariguinha, e ela gritou a mesma palavra na sua vozinha fininha. - Mhysa! Mhysa!
Dany olhou para Missandei.
- Que estão eles a gritar?
- É ghiscari,a antiga língua pura. Quer dizer “Mãe”.
Dany sentiu uma leveza no peito. Nunca darei à luz um filho vivo, recordou. A mão tremeu-lhe ao erguê-la. Talvez tenha sorrido. Deve ter sorrido, pois o homem também sorriu e voltou a gritar, e outros acompanharam o seu grito.
- Mhysa! - gritaram. - Mhysa! MHYSA! - Estavam todos a sorrir-lhe, a estender as mãos para ela, a ajoelhar à sua frente. Alguns chamavam-lhe “Maela”, outros gritavam “Aelalla” ou “Qathei” ou “Tato”, mas qualquer que fosse a língua, todas as palavras queriam dizer o mesmo. Mãe. Eles estão a chamar-me Mãe.

Ansiava por este livro desde que iniciei a saga e vi algumas reviews de toda a obra. 
Decididamente é o livro da revolta/revolução/reviravolta (o que lhe quiserem chamar)!
Dei várias vezes por mim a simpatizar com personagens odiados e até a compreendê-los mas também foram muitas as alturas em que surgia uma vontade repentina de mergulhar nas páginas, pegar numa espada e cortar umas quantas cabeças...
Um livro prometedor em relação aos próximos! 

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

A Queda dos Gigantes (Trilogia: O Século Livro 1)


No mesmo dia em que o rei Jorge V foi coroado na Abadia de Westminster, em Londres, Billy Williams desceu ao poço em Aberowen, no Sul de Gales.
(…)
Hewitt Seboso estava de tacha arreganhada. — Não tiveste medo, Billy, lá sozinho no escuro?
Ponderou uma resposta. Estavam todos de olhos cravados nele, à espera de ouvir o que teria a dizer. Os sorrisos matreiros tinham-se desvanecido, e os homens pareciam agora ligeiramente envergonhados. Decidiu dizer a verdade.
— Tive medo, mas não estive sozinho.
Hewitt ficou desorientado. — Não estiveste sozinho?
— Não, é claro que não — reiterou Billy. — Jesus esteve sempre comigo.
Hewitt soltou uma sonora gargalhada, mas foi o único. O seu riso grosseiro ecoou no silêncio e deteve-se abruptamente.
A quietude prolongou-se por alguns instantes até ser interrompida por um ruído metálico e um solavanco. A gaiola começara a subir. Harry voltou-lhe costas.
Depois disto, passaram a chamar-lhe Billy-com-Jesus.


Chegada a última página este livro deixou-me com uma mistura de sentimentos.
Se por um lado não o conseguia largar, e estava sempre curiosa com o que iria acontecer aos mais variados personagens, por outro o tempo livre não era muito.

Com uma narrativa incrível, quer a nível do enredo e cruzamento de personagens de diferentes nacionalidades, desiludiu-me um pouco no final, em que há um salto de três anos e parece que o destino de alguns personagens chave foi contado à pressa. Claro que é apenas o primeiro livro de uma trilogia, mas, depois de todas as emoções da I Guerra Mundial, estava à espera de outro desfecho. Acho que foi o que lhe fez "perder" as 5 estrelas...

O facto de ser um livro com mais de 900 páginas pode, no entanto, ser um factor desencorajador para muitos leitores. Eu aconselho-o! Depois de começarmos a ler, o número de páginas é apenas um pormenor ao qual não ligamos muito. O único problema de ser um "calhau" era transportá-lo na mala para aproveitar todas as oportunidades para devorar mais um bocadinho. 

segunda-feira, 29 de julho de 2013

A Tormenta de Espadas (Crónicas de Gelo e Fogo #5)

O som durou, durou e durou, até parecer que nunca terminaria. Os corvos batiam as asas e guinchavam, voando nas suas gaiolas e esbarrando nas barras, e por todo o acampamento os irmãos da Patrulha da Noite levantavam‑se, vestiam as armaduras, prendiam cintos de espadas, estendiam as mãos para machados de batalha e arcos. Samwell Tarly desatou a tremer, com a cara da mesma cor da neve que caía, rodopiando, a toda a volta.
- Três, - guinchou para Chett - aquilo foram três, ouvi três. Nunca fazem soar três. Há centenas e milhares de anos que não fazem soar três. Três quer dizer…
- …Outros. - Chett soltou um som que era metade gargalhada e metade soluço, e de súbito a roupa de baixo estava molhada, sentia o mijo a escorrer‑lhe pela perna, e via vapor a evaporar‑se da frente das suas bragas.


O que dizer de GRRM que não seja repetir-me? 
Depois de lidos cinco volumes (estou a meio dos livros publicados) continuo cada vez mais viciada nestas Crónicas de Gelo e Fogo e sempre a querer saber mais sobre estas personagens.
Ainda fico surpreendida com o sofrimento implantado e com as descrições dos vários locais por onde vão passando e as batalhas que vão travando.
A luta dos cinco reis pela ocupação do trono de ferro está longe de chegar ao fim, não sendo, por isso, nada fácil de prever quem o irá ocupar no final... 

domingo, 23 de junho de 2013

O Despertar da Magia (As Crónicas de Gelo e Fogo #4)


Arquejando, a mulher agachou‑se e abriu as pernas. Sangue escorreu‑lhe pelas coxas, negro como tinta. O grito dela podia ter sido de agonia, de êxtase ou de ambas as coisas. E Davos viu o topo da cabeça da criança a abrir caminho para fora dela. Dois braços libertaram‑se, agarrando‑se, com dedos negros que se enrolavam em volta das coxas retesadas de Melisandre, empurrando, até que a sombra deslizou por completo para o mundo e se ergueu, mais alta do que Davos, tão alta como o túnel, pairando por cima do barco. Teve apenas um instante para olhar para ela antes que desaparecesse, retorcendo‑se por entre as barras da porta levadiça e correndo pela superfície da água, mas esse instante foi mais do que o suficiente.
Conhecia aquela sombra. E conhecia o homem que a lançava.


Apesar do ritmo mais lento deste volume e do anterior (isto quando comparados com os dois primeiros), não consigo classificá-lo como menos de 5 estrelas. 
Dou por mim a embirrar com personagens que até simpatizava e vice-versa, tão depressa amo, como logo a seguir já odeio e apetece-me entrar dentro das páginas do livro e fazer parte daquela guerra em que a maior parte dos intervenientes são completamente loucos e sedentos de poder.


George Martin tem a incrível capacidade de nos surpreender e desiludir, com uma escrita arrebatadora que me vai fascinando cada vez mais à medida que avanço nestas Crónicas de Gelo e Fogo e na luta aberta pelo Trono de Ferro.  

sábado, 15 de junho de 2013

Segredos Imorais (Jonathan Stride #1)


Então ela apareceu, como se saindo de nenhures, com um aspecto etéreo sob a luz fraca de um candeeiro de rua. Até abriu a boca ao ver o quanto era bela. O pulso acelerou e mais suor a formar uma película pegajosa debaixo dos braços e na parte de trás do pescoço. Tinha a boca tão seca que nem conseguia engolir. Quando ela se aproximou, os olhos dele observaram-na. Tinha lábios vermelhos carnudos e cabelo preto que lhe caía em madeixas molhadas abaixo dos ombros. O frio ruborizava-lhe as faces, mas não o suficiente para colorir o tom cremoso, de alabastro, da pele. Uma única argola a balouçar num clarão dourado da orelha esquerda e uma pulseira de oiro lassa no pulso direito. Era alta e dava passos longos, apressados. Vestia uma camisola branca de gola alta sobre o torso alto, o tecido húmido a colar-se ao corpo. As  calças de ganga pretas muito justas.



Um policial muito bom, com um enredo espectacular e muito bem desenvolvido. Uma escrita simples e nada monótona, com capítulos curtos que dão um óptimo ritmo à acção. A juntar a tudo isto, o livro divide-se em quatro partes e quando, no final da terceira, parece que está tudo resolvido, temos um salto no tempo que nos leva a conhecer novos personagens e à resolução do crime de uma forma completamente inesperada. 

Nota-se muito que aconselho esta leitura? Só deixo uma dica, atenção aos pormenores que vão sendo lançados logo a partir das primeiras páginas ;)

quarta-feira, 5 de junho de 2013

A Fúria dos Reis (As Crónicas de Gelo e Fogo #3)

A cauda do cometa espraiava‑se pela madrugada, um corte vermelho que sangrava por cima dos penhascos de Pedra do Dragão como uma ferida num céu de rosa e púrpura.
O Meistre estava em pé, na varanda varrida pelo vento, do lado de fora dos seus aposentos. Era ali que chegavam os corvos, depois de longos voos. Os excrementos das aves sarapintavam as gárgulas que se erguiam a uma altura de três metros e meio, de ambos os lados, um mastim do inferno e uma viverna, dois exemplares do milhar que cismava empoleirado nas muralhas da antiga fortaleza. Quando chegara a Pedra do Dragão, o exército de grotescas esculturas de pedra costumava deixá‑lo incomodado, mas com a passagem dos anos, fora‑se‑lhes acostumando. Agora, pensava nelas como em velhas amigas. Os três observaram juntos o céu, assaltados por pressentimentos.
O Meistre não acreditava em presságios. E no entanto… apesar de ser tão velho, Cressen nunca vira um cometa com metade do brilho daquele, nem daquela cor, daquela cor terrível, a cor do sangue, da chama e dos ocasos. Perguntou a si próprio se as suas gárgulas já teriam visto algo de semelhante. Já ali estavam longo tempo antes de ele chegar, e ainda lá permaneceriam muito depois de partir. Se línguas de pedra falassem…

Depois de toda a acção dos primeiros volumes, com a apresentação dos personagens e os desenvolvimentos trágicos no final, as expectativas eram demasiado grandes. Apesar da escrita continuar soberba (algo a que George Martin nos habitua logo nas primeiras páginas) a acção torna-se um pouco mais lenta mas, na minha opinião, nem por isso menos merecedora da classificação de 5 estrelas...

segunda-feira, 6 de maio de 2013

A Muralha de Gelo (As Crónicas de Gelo e Fogo #2)

Sonhou um sonho antigo, sobre três cavaleiros em mantos brancos, uma torre há muito caída, e Lyanna na sua cama de sangue.
No sonho, os amigos cavalgavam consigo, como o tinham feito em vida. O orgulhoso Martyn Cassel, pai de Jory; o fiel Theo Will; Ethan Glover, que fora escudeiro de Brandon; Sor Mark Ryswell, de fala mansa e coração gentil; o cranogmano, Howland Reed; Lorde Dustin no seu grande garanhão vermelho. Ned conhecera-lhes em tempos os rostos tão bem como conhecia o seu, mas os anos sugam as memórias de um homem, mesmo aquelas que ele jurou nunca esquecer. No sonho, eram apenas sombras, espectros cinzentos montados em cavalos feitos de névoa.
Eram sete, a enfrentar três. No sonho, tal como acontecera na vida. Mas aqueles três não eram homens comuns. Esperavam defronte da torre redonda, com as montanhas vermelhas de Dorne nas suas costas e os mantos brancos a ondular ao vento. E esses três vultos não eram sombras; os seus rostos eram claros como brasas, mesmo agora. Sor Arthur Dayne, a Espada da Manhã, tinha um sorriso triste nos lábios. O cabo da grande espada chamada Alvorada espreitava-lhe por sobre o ombro direito. Sor Oswell Whent apoiava-se num joelho, afiando a sua lâmina com uma pedra de polir. O morcego negro da sua Casa estendia as asas sobre o elmo esmaltado de branco. Entre os dois, erguia-se o velho e feroz Sor Gerold Hightower, o Touro Branco, Senhor Comandante da Guarda Real.


Depois da "febre" iniciada no volume anterior e de todas a expectativas criadas, George Martin não me desiludiu. Muito pelo contrário, conseguiu ainda aumentar a fasquia da surpresa e do entusiasmo.

Leitura completamente viciante!

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

A Guerra dos Tronos (As Crónicas de Gelo e Fogo #1)


O corpo de Royce jazia na neve de barriga para baixo, com um braço aberto. O espesso manto de zibelina tinha sido cortado numa dúzia de sítios. Jazendo assim morto, via-se como era novo. Um rapaz.
Will encontrou o que restava da espada a alguns pés de distância, com a extremidade estilhaçada e retorcida, como uma árvore atingida por um relâmpago. Ajoelhou-se, olhou em volta com cautela, e apanhou-a. A espada quebrada seria a sua prova. Gared saberia compreendê-la, e se não soubesse, então haveria o velho urso do Mormont ou o Meistre Armon. Estaria Gared ainda à espera com os cavalos? Tinha de apressar-se.
Will endireitou-se. Sor Waymar Royce erguia-se sobre ele.
As suas belas roupas eram farrapos, o seu rosto uma ruína. Um estilhaço da espada trespassara a pupila branca e cega do seu olho esquerdo.
O olho direito estava aberto. A pupila queimava, azul. Via.
A espada quebrada caiu de dedos despidos de força. Will fechou os olhos para rezar. Mãos longas e elegantes roçaram na sua bochecha e depois fecharam-se em volta da sua garganta. Estavam enluvadas na mais fina pele de toupeira e pegajosas de sangue, mas o seu toque era frio como gelo.

Apesar de ler o livro depois de ver a série, foi como se descobrisse novamente os personagens e os seus enredos à medida que virava as páginas. Simplesmente espectacular!

Amei os personagens, a história e aquele mundo que parece tão real. A escrita é muito boa e os capítulos focados em personagens diferentes fazem com que a curiosidade se mantenha da primeira à última página.



Recomendo!