A reader lives a thousand lives before he dies, said Jojen. The man who never reads lives only one. (George R. R. Martin)

terça-feira, 12 de março de 2013

Estranha Forma de Vida

  
Ele sabia que não podia dispensar as russas. A diversidade da cor dos olhos, do tom de pele e do sotaque era essencial para o bom andamento do negócio. Ia ao encontro do mito do homem e do seu diversificado harém. 
(…)
Bastava conhecer as preferências do cliente de deixá-lo feliz. E tudo se resumia nessa frase simples, mas muito comercial: o cliente tem sempre razão. Ele sonha, a casa dá e a fortuna cresce.

Reconheço que deveria dedicar mais "tempo de antena" aos escritores portugueses, pois cada vez que o faço fico surpreendida pela positiva. 

Gosto muito de policiais e esta foi a primeira vez que me deparei com um estritamente português. Muito pormenorizado no que respeita ao submundo da noite, deixa-nos com uma perspectiva bastante realista de como esses negócios se processam e faz-nos pensar um pouco nas pessoas que nos rodeiam todos os dias e que segredos podem esconder...

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Breve História de Amor


O comboio pára na estação, entretanto a carruagem encheu -se e ela percorre o cais no meio da multidão. Chega à rua, atravessa-a por entre a confusão do tráfego matinal, ouve uma buzina nas suas costas e salta para o passeio assustada. Olha para trás, a ver quem apitou, sem parar de andar, choca com alguém. Desculpe, diz em português, sem pensar em inglês. Um homem jovem, engravatado, com um sorriso simpático, responde-lhe, não faz mal, também em português. As mãos dele, que agarram ainda os ombros dela, impediram que caísse. Ele retira-as. Está perdida?, pergunta-lhe. N… não, gagueja ela. Trocam algumas palavras, por serem ambos portugueses em Londres, depois seguem em sentidos opostos.

Confesso que não sou muito fã de contos, mas como tinha este livro aqui pela minha estante resolvi pegar-lhe e começar a ler. 
Surpreendeu-me pela positiva, pela simplicidade de escrita e das próprias situações. 
Encontros casuais que acontecem com cada um de nós e a partir dos quais se podem desenvolver grandes amizades e mesmo histórias de amor.
Gostei!

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Crime e Sedução


Henrique fitou o irmão, angustiado. Os seus olhos transmitiam um desespero e uma dor tão intensas que impressionaria qualquer pessoa. Sabia que iria morrer e nada podia fazer  para  o  evitar. Fez um esforço desmesurado para mexer as mãos, mas só o que conseguiu foi mexer o polegar esquerdo e isso com muito esforço e sofrimento. Fechou os olhos, cansado. Fez novas tentativas, mas o resultado foi sempre o mesmo.
Dez minutos depois, Marta entrou no quarto, cautelosa. Sorriu ao ver o enfermeiro a dormir de boca aberta e o cunhado com a cabeça de lado. Até ali o plano corria às mil maravilhas. Acercou-se da cama e sentou-se, com um sorrisinho diabólico estampado no rosto.
– Deves ter pensado que eras mais esperto do que eu, meu caro, mas enganaste-te, como vês… Sempre fui mais inteligente do que tu e no fundo sempre o soubeste, por isso me receavas tanto. Dou-te um minuto para encomendares a alma a Deus ou ao diabo. Fica à tua escolha. É só o tempo de eu me preparar.
Henrique fitava-a com os olhos quase a saltarem-lhe das órbitas. O seu maior pesadelo estava a acontecer e ele sem nada poder fazer para o evitar. Não devia haver morte pior do que aquela. Sentir que alguém o estava a matar e nem um grito de socorro conseguir fazer sair da sua boca.
Marta levantou-se, sorrindo. Fitou-o nos olhos e estremeceu levemente ao vê-los com um ódio e desespero tão intensos. Iria recordar sempre até ao fim da sua vida aqueles olhos nos seus piores pesadelos.
– Bons sonhos, querido marido…
Afastou-se dele e acercou-se da mesinha, colocando as chávenas sujas no tabuleiro juntamente com o termo. O seu trabalho ainda não terminara; o mais difícil começava agora…
Deslizou rapidamente para o andar inferior, deixando o marido entregue aos seus dolorosos pensamentos e derradeiros momentos de vida.
“Meu Deus, ajuda-me, por favor! Não me deixes morrer assim… Alguém tem de saber o que esta mulher me fez. Ela não pode ficar sem castigo. Desejo tanto viver! Ver minha filha e meu irmão felizes e à minha volta… Sei que conseguiria recuperar com a ajuda deles. Por favor, salva-me! MEU DEUS, SALVA-ME!”
Duas lágrimas rolaram-lhe pelas faces e pararam-lhe nos lábios. De nada valia ter esperança. Só lhe restava aproveitar os últimos momentos de vida que lhe restavam e não o faria rezando, pois no seu coração não existiam remorsos de nada que tivesse feito contra alguém. Na sua fé sabia que Deus, se é que existia mesmo, o perdoaria por isso. Tinha de pensar rapidamente numa maneira de não deixar impune a criminosa que o matava. Sem saber como, conseguiu ter força suficiente para mexer a mão esquerda o suficiente para a colocar debaixo do seu corpo, com o polegar colado à aliança. Esperava, dessa maneira, indicar ao irmão e ao amigo Fernandes quem o matara.
Todos os seus músculos estavam paralisados. Sentiu o coração parar de bater e deixou de conseguir respirar. Ainda conseguiu fixar o rosto adormecido do irmão.
“Que Deus te abençoe, meu irmão! Vela pela minha querida Joana!”
E com a lembrança do rosto da filha acabou por fechar os olhos.

Completamente devorado! 

Nada a dizer... A Isabel consegue prender-nos aos livros logo na primeira página e cada página lida traz uma nova revelação surpreendente e que altera o rumo da história... Quando achamos que já compreendemos qual será o desfecho das personagens ela consegue trocar-nos as ideias e o final é completamente diferente do que imaginamos :)

Sem dúvida uma ótima leitura!



Para conhecer melhor:

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

A Guerra dos Tronos (As Crónicas de Gelo e Fogo #1)


O corpo de Royce jazia na neve de barriga para baixo, com um braço aberto. O espesso manto de zibelina tinha sido cortado numa dúzia de sítios. Jazendo assim morto, via-se como era novo. Um rapaz.
Will encontrou o que restava da espada a alguns pés de distância, com a extremidade estilhaçada e retorcida, como uma árvore atingida por um relâmpago. Ajoelhou-se, olhou em volta com cautela, e apanhou-a. A espada quebrada seria a sua prova. Gared saberia compreendê-la, e se não soubesse, então haveria o velho urso do Mormont ou o Meistre Armon. Estaria Gared ainda à espera com os cavalos? Tinha de apressar-se.
Will endireitou-se. Sor Waymar Royce erguia-se sobre ele.
As suas belas roupas eram farrapos, o seu rosto uma ruína. Um estilhaço da espada trespassara a pupila branca e cega do seu olho esquerdo.
O olho direito estava aberto. A pupila queimava, azul. Via.
A espada quebrada caiu de dedos despidos de força. Will fechou os olhos para rezar. Mãos longas e elegantes roçaram na sua bochecha e depois fecharam-se em volta da sua garganta. Estavam enluvadas na mais fina pele de toupeira e pegajosas de sangue, mas o seu toque era frio como gelo.

Apesar de ler o livro depois de ver a série, foi como se descobrisse novamente os personagens e os seus enredos à medida que virava as páginas. Simplesmente espectacular!

Amei os personagens, a história e aquele mundo que parece tão real. A escrita é muito boa e os capítulos focados em personagens diferentes fazem com que a curiosidade se mantenha da primeira à última página.



Recomendo!