A reader lives a thousand lives before he dies, said Jojen. The man who never reads lives only one. (George R. R. Martin)

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Lola and the Boy Next Door


Once upon a time, there was a girl who talked to the moon. And she was mysterious and she was perfect, in that way that girls who talk to moons are. In the house next door, there lived a boy. And the boy watched the girl grow more and more perfect, more and more beautiful with each passing year. He watched her watch the moon. And he began to wonder if the moon would help him unravel the mystery of the beautiful girl. So the boy looked into the sky. But he couldn't concentrate on the moon. He was too distracted by the stars. And it didn't matter how many songs or poems had already been written about them, because whenever he thought about the girl, the stars shone brighter. As if she were the one keeping them illuminated.
One day, the boy had to move away. He couldn't bring the girl with him, so he brought the stars. When he'd look out his window at night, he would start with one. One star. And the boy would make a wish on it, and the wish would be her name.
At the sound of her name, a second star would appear. And then he'd wish her name again, and the stars would double into four. And four became eight, and eight became sixteen, and so on, in the greatest mathematical equation the universe had ever seen. And by the time an hour had passed, the sky would be filled with so many stars that it would wake the neighbors. People wondered who'd turned on the floodlights.
The boy did. By thinking about the girl.

Depois de ter lido Anna e o Beijo Francês (Anna and the French Kiss) fiquei deliciada com a simplicidade de escrita desta autora, que teve a capacidade de transformar uma história de amor de adolescentes num livro difícil de largar. 

Foi com as expectativas elevadas que peguei neste Lola and the Boy Next Door (do qual, infelizmente, não existe tradução para português), mas confesso que tinha receio de ficar um pouco desiludida. Com premissas parecidas com o anterior, o que poderia trazer alguma desilusão, voltei a ficar "agarrada" a esta extravagante Lola e ao inventor Cricket, the boy next door. 

Apesar de serem apresentados como trilogia, estes livros são independentes na medida em que, sim a Anna e o St. Clair voltam a aparecer neste livro, as personagens principais são completamente diferentes do livro anterior e toda uma nova trama é explorada e apresentada. ´

Agora resta-me esperar pela conclusão desta trilogia, para perceber de que modo as relações da Anna e do St. Clair e da Lola e do Cricket continuam a evoluir e para conhecer o novo casal... 

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

A Sombra do Vento


Ainda me lembro daquele amanhecer em que o meu pai me levou pela primeira vez a visitar o Cemitério dos Livros Esquecidos. Desfiavam-se os primeiros dias do Verão de 1945 e caminhávamos pelas ruas de uma Barcelona apanhada sob céus de cinza e um sol de vapor que se derramava sobre a Rambla de Santa Mónica numa grinalda de cobre líquido.
— Não podes contar a ninguém aquilo que vais ver hoje, Daniel — advertiu o meu pai. — Nem ao teu amigo Tomás. A ninguém.
— Nem sequer à mamã? — inquiri eu, a meia-voz.
O meu pai suspirou, amparado naquele sorriso triste que o perseguia como uma sombra pela vida.
— Claro que sim — respondeu, cabisbaixo. — Para ela não temos segredos. A ela podes contar tudo.
(…)
— Daniel, não podes contar a ninguém o que vais ver hoje. Nem ao teu amigo Tomás. A ninguém.
Um homenzinho com traços de ave de rapina e cabeleira prateada abriu-nos a porta. O seu olhar aquilino poisou em mim, impenetrável.
— Bom dia, Isaac. Este é o meu filho Daniel — anunciou o meu pai. Está quase a fazer onze anos, e um dia ficará ele a tomar conta da loja. Já tem idade para conhecer este lugar.
O tal Isaac convidou-nos a entrar com um leve gesto de assentimento. Uma penumbra azulada cobria tudo, insinuando apenas traços de uma escadaria de mármore e uma galeria de frescos povoados de figuras de anjos e criaturas fabulosas. Seguimos o guardião através daquele corredor palaciano e chegámos a uma grande sala circular onde uma autêntica basílica de trevas jazia sob uma cúpula retalhada por feixes de luz que pendiam lá do alto. Um labirinto de corredores e estantes repletas de livros subia da base até à cúspide, desenhando uma colmeia tecida de túneis, escadarias, plataformas e pontes que deixavam adivinhar uma gigantesca biblioteca de geometria impossível. Olhei para o meu pai, boquiaberto. Ele sorriu-me, piscando-me o olho.
             — Bem-vindo ao Cemitério dos Livros Esquecidos, Daniel.


Completamente devorado!É incrível como este livro nos prende desde as primeiras páginas e nos guia numa viagem pelas ruas de Barcelona na companhia do Daniel em busca da vida de um tal Julian Carax que desapareceu na sombra do vento e de quem pouca gente ouviu falar...São estes os ingredientes que Carlos Ruíz Zafón misturou com uma escrita soberba e que fizeram deste livro aquilo que é. 
Fiquei completamente rendida, e recomendo vivamente a sua leitura! 

terça-feira, 8 de outubro de 2013

A Glória dos Traidores (Crónicas de Gelo e Fogo #6)

Na manhã do terceiro dia, os portões da cidade abriram-se e uma fileira de escravos começou a sair. Dany montou a prata para ir ao seu encontro. Ao passarem, a pequena Missandei foi-lhes dizendo que deviam a liberdade a Daenerys Nascida na Tormenta, a Não-Queimada, Rainha dos Sete Reinos de Westeros e Mãe de Dragões.
- Mhysa! - gritou-lhe um homem de pele castanha. Trazia uma criança ao ombro, uma rapariguinha, e ela gritou a mesma palavra na sua vozinha fininha. - Mhysa! Mhysa!
Dany olhou para Missandei.
- Que estão eles a gritar?
- É ghiscari,a antiga língua pura. Quer dizer “Mãe”.
Dany sentiu uma leveza no peito. Nunca darei à luz um filho vivo, recordou. A mão tremeu-lhe ao erguê-la. Talvez tenha sorrido. Deve ter sorrido, pois o homem também sorriu e voltou a gritar, e outros acompanharam o seu grito.
- Mhysa! - gritaram. - Mhysa! MHYSA! - Estavam todos a sorrir-lhe, a estender as mãos para ela, a ajoelhar à sua frente. Alguns chamavam-lhe “Maela”, outros gritavam “Aelalla” ou “Qathei” ou “Tato”, mas qualquer que fosse a língua, todas as palavras queriam dizer o mesmo. Mãe. Eles estão a chamar-me Mãe.

Ansiava por este livro desde que iniciei a saga e vi algumas reviews de toda a obra. 
Decididamente é o livro da revolta/revolução/reviravolta (o que lhe quiserem chamar)!
Dei várias vezes por mim a simpatizar com personagens odiados e até a compreendê-los mas também foram muitas as alturas em que surgia uma vontade repentina de mergulhar nas páginas, pegar numa espada e cortar umas quantas cabeças...
Um livro prometedor em relação aos próximos! 

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Inferno

As memórias materializaram-se lentamente, como um borbulhar que emerge das trevas de um poço sem fundo.
Uma mulher de véu.
Robert Langdon fitou-a do outro lado de um rio cujas águas agitadas corriam rubras de sangue. A mulher estava de frente para ele na outra margem, imóvel, solene, de rosto velado. Na mão, segurava uma tainia azul, que erguia agora em honra do mar de cadáveres aos seus pés. O cheiro a morte pairava em todo o lado.
Procura, sussurrou a mulher. E encontrarás.
Langdon ouviu as palavras, como se ela as tivesse pronunciado dentro da sua cabeça.
—Quem és tu? — gritou, mas não emitiu qualquer som.
O tempo urge, sussurrou ela. Procura e encontrarás.
Langdon deu um passo em direção ao rio, mas viu que as águas estavam tingidas de sangue e eram demasiado profundas para atravessar. Quando Langdon voltou a levantar os olhos para a mulher de véu, os corpos aos pés dela tinham-se multiplicado. Havia agora centenas deles, talvez milhares, alguns ainda vivos, contorcendo-se em agonia, a morrer de formas inconcebíveis... consumidos pelo fogo, enterrados em fezes, devorando-se uns aos outros. Conseguia ouvir os gritos lúgubres do sofrimento humano a ecoar através da água.
A mulher moveu-se na sua direção, estendendo os braços esguios, como que a pedir ajuda.
—Quem és tu? — gritou Langdon uma vez mais.
Em resposta, a mulher ergueu as mãos e levantou lentamente o véu que lhe cobria o rosto. Era de uma beleza impressionante, se bem que fosse mais velha do que Langdon supusera — talvez já passasse dos sessenta anos, imponente e forte, como uma estátua intemporal. Tinha um queixo bem definido, olhos profundos e eloquentes e cabelo comprido cor de prata que lhe caía em caracóis sobre os ombros. Usava um amuleto de lápis-lazúli pendurado ao pescoço — uma cobra enrolada à volta de uma vara.
Langdon sentiu que a conhecia... que confiava nela. Mas como? Porquê?

Comecei este livro um pouco de pé atrás, já que o anterior me tinha desiludido um pouco, ao tornar-se demasiado previsível e sem conseguir atingir-me com o fator surpresa dos primeiros. Mas rapidamente percebi que este Inferno tinha um pormenor que ia fazer toda a diferença e, assim, voltei a ficar presa ao livro até à última página.


O estilo característico de Dan Brown, tipo guião de filme, com capítulos curtos tem a brilhante característica de me deixar completamente viciada e nem as descrições, por vezes extensas (e que eu odeio em grande parte dos livros que leio), conseguem aborrecer-me!

Apesar de tudo, o fator surpresa de O Código DaVinci e de Anjos e Demónios continua bem presente e este Inferno ficou um bocadinho atrás...

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

A Queda dos Gigantes (Trilogia: O Século Livro 1)


No mesmo dia em que o rei Jorge V foi coroado na Abadia de Westminster, em Londres, Billy Williams desceu ao poço em Aberowen, no Sul de Gales.
(…)
Hewitt Seboso estava de tacha arreganhada. — Não tiveste medo, Billy, lá sozinho no escuro?
Ponderou uma resposta. Estavam todos de olhos cravados nele, à espera de ouvir o que teria a dizer. Os sorrisos matreiros tinham-se desvanecido, e os homens pareciam agora ligeiramente envergonhados. Decidiu dizer a verdade.
— Tive medo, mas não estive sozinho.
Hewitt ficou desorientado. — Não estiveste sozinho?
— Não, é claro que não — reiterou Billy. — Jesus esteve sempre comigo.
Hewitt soltou uma sonora gargalhada, mas foi o único. O seu riso grosseiro ecoou no silêncio e deteve-se abruptamente.
A quietude prolongou-se por alguns instantes até ser interrompida por um ruído metálico e um solavanco. A gaiola começara a subir. Harry voltou-lhe costas.
Depois disto, passaram a chamar-lhe Billy-com-Jesus.


Chegada a última página este livro deixou-me com uma mistura de sentimentos.
Se por um lado não o conseguia largar, e estava sempre curiosa com o que iria acontecer aos mais variados personagens, por outro o tempo livre não era muito.

Com uma narrativa incrível, quer a nível do enredo e cruzamento de personagens de diferentes nacionalidades, desiludiu-me um pouco no final, em que há um salto de três anos e parece que o destino de alguns personagens chave foi contado à pressa. Claro que é apenas o primeiro livro de uma trilogia, mas, depois de todas as emoções da I Guerra Mundial, estava à espera de outro desfecho. Acho que foi o que lhe fez "perder" as 5 estrelas...

O facto de ser um livro com mais de 900 páginas pode, no entanto, ser um factor desencorajador para muitos leitores. Eu aconselho-o! Depois de começarmos a ler, o número de páginas é apenas um pormenor ao qual não ligamos muito. O único problema de ser um "calhau" era transportá-lo na mala para aproveitar todas as oportunidades para devorar mais um bocadinho.