A reader lives a thousand lives before he dies, said Jojen. The man who never reads lives only one. (George R. R. Martin)

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Para Onde Vão os Guarda-Chuvas


Disse Tal Azizi: Os nossos corpos têm veias para fora deles. Escuta, amado discípulo, essas veias ligam-se a lugares especiais, a pessoas que gostamos. Um aparelho circulatório que não é ensinado nas aulas de anatomia, que não se aprende nas madrasas nem nas universidades. O nosso coração não bate cá dentro, bate na terra de que gostamos, ó discípulo, nos objectos que nos são especiais, nos peitos dos nossos familiares, em músicas que nos fazem chorar. Nunca ninguém nos ensinou onde estava realmente o coração, aquilo que ouvimos bater no peito é apenas um reflexo de todos os nossos corações, que batem em tantos lugares diferentes. As nossas noções de anatomia, amado Gardezi, estão todas erradas.

Para onde vão os guarda-chuvas?... Um título que me despertou a curiosidade mas que estava longe de imaginar o tipo de livro que o poderia ter... Depois de ter lido críticas bastante favoráveis, ainda fiquei mais intrigada e curiosa.

Este livro foi a minha estreia no mundo de Afonso Cruz e realmente não estava à espera de gostar tanto. Confesso que durante muitas páginas não consegui perceber se gostava ou não do que estava a ler, mas era uma sensação agridoce pois não conseguia largar o livro. Parecia que estava enfeitiçada pela simplicidade e, em algumas partes, frieza da escrita.

Mas a partir de um certo ponto, percebi que estava mesmo a gostar e que o livro tinha tudo para merecer a classificação máxima... Mas (e há sempre um mas) o final deixou-me de tal maneira boquiaberta e foi tão inesperado que lhe roubei uma estrela. Claro que, num livro tão bom, isso se torna irrelevante.

A simplicidade da narrativa deixa-nos a pensar. Banalidades do dia-a-dia tornam-se importantes da perspectiva dos personagens. Fiquei rendida a Afonso Cruz!

Para onde vão os guarda-chuvas? São como as luvas, são como uma das peúgas que formam um par. Desaparecem e ninguém sabe para onde. Nunca ninguém encontra guarda-chuvas, mas toda a gente os perde. Para onde vão as nossas memórias, a nossa infância, os nossos guarda-chuvas?

domingo, 28 de dezembro de 2014

Novidades... Novidades...

Costuma dizer-se que ano novo vida nova, mas eu não consigo esperar para levantar um bocadinho o véu e contar algumas novidades...

Como não consigo dedicar muito tempo a este espaço como gostaria, andava há já algum tempo a pensar em dividi-lo com alguém. Por acaso, cruzou-se comigo alguém que também estava à procura do mesmo e decidimos que iríamos partilhar os nossos espaços. 


Assim, e a partir de janeiro, o Lots of Books (and other things) vai ter também a colaboração da Maria João, do blog Livros no Tempo

Espero que seja uma boa parceria e que tanto este espaço, como o dela saiam a ganhar com a colaboração :)

Bem vinda Maria João! :)

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014



Espero que tenham todos tido uma ótima noite de Natal e que tenham havido muitos livrinhos nos sapatinhos ;)

Agora é tempo de preparar o ano que aí vem e abraçar os desafios e as novidades para 2015...

Feliz Natal e Bom Ano a todos!

domingo, 14 de dezembro de 2014

Amor e Chocolate


- Que diz a Jen de tudo isto? - perguntou o Eric depois de ouvir a minha saga.
(…)
- O que eu não percebo é como tu, a Martha e até a Renée se aperceberam que havia qualquer coisa entre mim e o Greg, quando a Jen e o Matt, os nossos amigos mais chegados, parecem não ter dado por nada.
O Eric beberricou um pouco de cerveja.
- Lembras-te daquele episódio das Novas Aventuras do Super-Homem em que aparecia o Tempus, o vilão que conhecia a identidade secreta do Super-Homem, e em que entrava o H.G: Wells? E lembras-te de quando o Tempus disse à Lois algo como «O que ninguém consegue perceber é como alguém pode ser estúpido à uma escala tão galáctica», porque durante anos ela não descobrira que o Clark era o Super-Homem?
Estranhamente, lembrava-me.
- Achas que o Matt e a Jen são estúpidos à escala galáctica?
- Não. Como H. G. Wells lhe fez notar, a Lois «não queria ver a verdade», ou algo parecido. As pessoas são óptimas a ignorar coisas óbvias. Trata-se de um mecanismo de defesa contra coisas que afectam as suas vidas. Passa-se o mesmo com o Matt e a Jen. Bom, pelo menos com a Jen. O Matt provavelmente não deu por ela porque é gajo. Mas a Jen... Se ela quisesse saber que tu e o Greg estão apaixonados, sabê-lo-ia.

Há já alguns anos que não lia nada desta autora, mas depois de me ter apaixonado pelas suas estórias e personagens em A Filha da Minha Melhor Amiga e Pedaços de Ternura deixei-me conquistar novamente com este Amor e Chocolate.

A simplicidade quer da escrita quer dos personagens e das suas vidas tocam-nos por serem situações reais que nos podem acontecer a todos de uma forma ou outra. Diverti-me imenso e ainda soltei umas boas gargalhadas à conta do bem-disposto Greg.

Conhecida pelos seus dramas, desta vez Koomson deixou de lado o sofrimento das doenças ou de perdas importantes, e apresenta-nos um romance bem "docinho" com muito chocolate :) 

Uma leitura leve, ótima para um dia de praia, no verão, ou uma tarde no sofá com um aquecedor e uma bebida quente, no inverno... Aconselho! 

domingo, 7 de dezembro de 2014

7 on 7 Dezembro


7 Blogs, durante 7 meses no dia 7 vão publicar
7 fotografias de um determinado tema

Chegamos a Dezembro... O último mês do ano e também desta série de 7 on 7... :(

Para já, e como não podia deixar de ser, deixo-vos com as fotos deste mês, cujo tema é: 





Gosto muito de passear pelas cidades e ver as ruas iluminadas :) 
Este é um pequeno retrato do que podemos encontrar em Lisboa este ano...



As velas são uma das minhas paixões! 
Claro que não podiam faltar velas natalícias cá por casa...



Este ano além dos tradicionais bombons resolvi experimentar fazer os meus próprios chocolates :)
São deliciosos!



Também não faltam presépios cá em casa. Este em miniatura é dos que mais gosto ;)



Não há ceia de Natal sem as fatias douradas da minha avó! 
São aqueles sabores da infância que nunca se esquecem...



E pronto!... 
Agora é esperar pela noite de 24 de Dezembro para ver a árvore assim recheadinha de presentes para toda a família :D


Participantes


Não deixem de visitar os restantes blogs participantes ;)


Foi o último 7 on 7 desta série, mas prometemos voltar em breve com novidades!

domingo, 9 de novembro de 2014

TAG: Cães Literários


Há muito tempo que não respondia a uma TAG. Por isso, em conversa com o José (O Blog de um tal José), e apesar de ele não me ter tagueado, ele sugeriu (quase me obrigou) que respondesse a esta ;)
Assim, hoje resolvi aceder ao pedido e estão aqui as minhas respostas...

Shin Tzu: um livro que leste porque estava na moda


Não só este primeiro volume, mas toda a trilogia... Daqueles livros que li para poder ter a minha própria opinião, já que toda a gente falava deles.

Pitbull: um livro que ainda não leste ou que demoraste a ler porque te intimidava


Não é que me intimide, mas já tentei ler a trilogia e não consigo passar das primeiras páginas :( Não sei se é por ter visto os filmes e já conhecer a estória, ou por ser um tanto ou quanto descritivo. A verdade é que não consigo ler O Senhor dos Anéis :(

Pinsher: um livro que teve muita fama quando foi lançado mas que não fez juz às expectativas


Com este livro começaram as minhas desilusões em relação a Dan Brown :(

Rafeiro: um livro que não é muito conhecido, mas que é um dos teus favoritos


Foi com esta edição que o conheci, mas este livro foi recentemente reeditado por outra editora e com uma capa bem diferente. Espero que se torne bastante mais conhecido a partir de agora, pois é um dos melhores romances históricos que li até hoje!

Pastor Alemão: um livro que não emprestas a ninguém

Eu sei que me vou repetir, mas não empresto a ninguém o livro da resposta anterior. Foi um livro que me acompanhou em várias situações e que está autografado. Para além disto, e por ter sido tantas vezes relido, já não está nas melhores condições, o que só iria agravar o seu estado se andasse a passear de casa em casa...

Daschund: um livro que tem muito corpo para pouca perna porque tem muita palha



Este livro foi uma desilusão! Se tivesse menos trezentas páginas não se perdia nada e a estória seria a mesma...

Labrador: a tua melhor recordação de infância



Não há TAG onde eu não consiga encaixar Harry Potter!
Este foi o primeiro livro da série que eu li. Ao contrário do que é suposto, não comecei pelo primeiro mas sim pelo terceiro... E só depois li o primeiro...


Espero que tenham gostado dos meus cães literários ;)

Não vou taguear ninguém, mas quem quiser responder pode levar. Avisem-me para ver as respostas depois ;)

sábado, 8 de novembro de 2014

Misery



Porque o argumento e o momento crucial da intriga de Carros Velozes implicava o acidente muito grave de Tony Bonasaro no seu último e desesperado esforço para escapar à Polícia (o que conduzia ao epílogo, o interrogatório de Tony, no seu quarto de hospital, efectuado pelo parceiro do falecido tenente Gray), Paul tinha entrevistado um certo número de vítimas de acidentes de estrada. E havia obtido sempre a mesma resposta. As formas diferiam, em verdade, mas no fim de contas chegava sempre ao mesmo ponto: Recordo-me de ter entrado na viatura, e recordo-me de ter acordado aqui, mas de nada do que se passou entre esses dois tempos.
Porque infelicidade não lhe acontecera a ele o mesmo?
Porque os escritores se lembram de tudo, Paul. Em particular o que os faz sofrer. Põe um escritor em pelo, dá-lhe voltas a todas as cicatrizes, e ele contar-te-á em pormenor a história da mais pequena delas. As grandes estão na origem dos romances, mas não a amnésia. É da maior utilidade ter um pouco de talento para se tornar escritor, mas a única coisa absolutamente indispensável é a capacidade de se lembrar da origem da menor cicatriz.
A arte é a persistência da memória.

Depois de me ter rendido à fantasia, de devorar policiais e thrillers e de ter passeado um pouco pelo suspense e sobrenatural, tinha de experimentar o terror... 
E nada melhor que o mestre Stephen King para estreia!

Já há algum tempo que tinha curiosidade em ler qualquer coisa deste senhor e depois de uma pesquisa percebi que este era um dos melhores cotados e também daqueles que mais me recomendaram...

Fiquei completamente rendida! A escrita é simples e fluída e prende-nos de tal forma que damos por nós a temer a próxima conversa entre os protagonistas ou a desejar que ele se consiga libertar da prisão em que ela o mantém. 
Amei, na parte inicial (onde é mais visível), os parágrafos começados com os pensamentos Paul mas que depois seguiam os de Annie e mais tarde voltavam a Paul, sempre com assuntos completamente diferentes mas ligados entre si.

O final, apesar de ser um tanto ou quanto previsível, transporta-nos a uma cruel realidade e fica-se a pensar até que ponto uma pessoa pode viver traumatizada após enfrentar situações de perigo extremas. 

Sem dúvida, um livro cinco estrelas e um autor que merece que lhe dê mais "tempo de antena" por aqui, o que se traduz em mais leituras ;)

Recomendo!

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

7 on 7 Novembro


7 Blogs, durante 7 meses no dia 7 vão publicar
7 fotografias de um determinado tema

Mais um mês que passou, outro dia 7 que chegou... 
E trouxe de volta o 7 on 7! :)

Desta vez, com um tema de que gosto particularmente:





Ilha da Madeira



Lagoa das Sete Cidades (S. Miguel, Açores)




Lagoa do Fogo (S. Miguel, Açores)



Troia (Setúbal)



Floresta Negra (Alemanha)



Interlaken (Suiça)



St. James Park (Londres, Reino Unido)


sexta-feira, 24 de outubro de 2014

A Segunda Pele da Acácia Mimosa

Não sei quanto tempo fiquei assim neste adormecimento interior que me despertou. O tempo deixou de existir desde que aqui entrei, mas a resposta surgiu, do silêncio que se implantou cá dentro. Dedicar-me a quê foi a pergunta, cuja simples e límpida resposta surgiu naturalmente. Como nunca tinha visto isto?! Ajoelho-me sobre a madeira rígida do banco da frente, que neste momento parece uma doce nuvem suave, e agradeço profundamente esta iluminação interior. Obrigada! Obrigada! Obrigada! O sal alegre penetra-me nos lábios agradecidos do âmago. Ofereço os olhos às iluminadas clarabóias com as duas mãos agradecidas, uma sobre a outra, sobre este novo sentir do palpitar. Obrigada, digo em voz baixa.
(...)
Não sei como consegui ficar tanto tempo desligada de mim, como se tivesse vivido estes anos todos em estado de coma, inconsciente de quem sou. A minha mente viveu meia perdida. Como é tão simples ser como nasci para ser! Sorrio genuinamente e com suavidade para aqueles que se cruzam comigo. Se soubessem o que descobri! Detenho-me à saída, a olhar para trás, para os inúmeros feixes de luz. Obrigada mais uma vez. Renasci aqui, na Sagrada Família, onde Gaudí descansa na sua morte, ao mesmo tempo que a sua obra continua por si e sobre si. 

Este livro veio para às minhas mãos sem eu estar à espera, e revelou-se uma surpresa muito agradável :) 
Obrigada Ana Gil Campos pelo email!

Quando comecei a ler, precisava de mudar de género literário. Precisava de um livro leve e que me proporcionasse uma leitura rápida. Estava longe de imaginar o quão rápida iria ser... (Levei cerca de 4 horas a devorar as 170 páginas do livro!

No início, confesso, que fiquei um pouco confusa em relação à sinopse, mas à medida que fui avançando nas páginas fui compreendendo tudo. A turbulenta mente de Sara fascinou-me por completo e a sua luta interior comoveu-me. A sua viagem a Barcelona fez-me também viajar por uma cidade da qual gostei muito e revisitar locais há muito gravados na memória. 

A escrita da Ana é bastante fluida e simples mas nem por isso deixa de ter a sua complexidade. Os conhecimentos de arquitetura e da maçonaria estão muito bem descritos e não são nada maçadores, muito pelo contrário. Fizeram com que ficasse ainda mais curiosa quer em relação ao desfecho da estória, quer em relação aos próprios temas em si.

Aconselho! É, sem sombra de dúvida, uma ótima aposta num novo talento da escrita em português!

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

No Limiar da Eternidade (Trilogia: O Século Livro 3)


Walli e Lili entraram no quarto. Ficaram parados à porta, a olharem a irmã mais velha como se ela se tivesse transformado numa pessoa diferente, o que provavelmente era verdade.
— Casaste te por ordem da Stasi! — gritou Rebecca da janela. — Qual de nós é o louco? — Atirou o outro sapato e falhou.
Lili perguntou num tom atemorizado: — Que estás a fazer?
Walli sorriu e disse: — Que loucura, pá.
Lá fora, dois transeuntes pararam para ver, e um vizinho surgiu à porta, contemplando a cena, fascinado. Hans mirou os, furioso. Era um homem orgulhoso e angustiava o fazer figura de parvo em público.
Rebecca olhou em volta, procurando outra coisa para lhe atirar, e o seu olhar caiu no modelo de fósforos da Porta de Brandeburgo.
Estava colocado sobre uma prancha de contraplacado. Era pesada, mas ela aguentava.
Willi exclamou: — Oh, ena pá!
Ela levou o modelo até à janela.
Hans gritou: — Não te atrevas! Isso pertence me!
Ela pousou a base de contraplacado no peitoril. — Arruinaste me a vida, seu rufia da Stasi! — gritou.
Uma das mulheres ali paradas riu se, numa gargalhada desdenhosa e trocista que se sobrepôs ao som da chuva. Hans corou de raiva e olhou em redor, tentando identificar a fonte, mas não conseguiu. Ser alvo de chacota era para ele a pior forma de tortura.
Rugiu: — Tira daí esse modelo, cabra! Trabalhei nele durante um ano!
— O mesmo tempo que eu dediquei ao nosso casamento — retorquiu Rebecca, erguendo o modelo.
Hans berrou: — Estou a dar te uma ordem!
Ela passou o modelo pela janela e largou o.
Este virou se em pleno voo, fazendo com que a prancha ficasse por cima e a quadriga por baixo. Pareceu levar uma eternidade a cair, e Rebecca ficou como que suspensa num momento do tempo. Depois, o modelo bateu no pátio calcetado da frente, com um som de papel a ser amachucado. Desintegrou se, e os fósforos projetaram se numa espécie de onda. Caíram, então, no empedrado molhado e ali ficaram, formando um círculo raiado de destruição. A prancha quedou se no chão, tudo o que continha desfeito em nada.
Hans ficou a olhar por um longo momento, a boca aberta de choque.
Recompôs se e apontou um dedo a Rebecca. — Escuta bem — disse numa voz tão fria que, de súbito, a deixou assustada —, vais arrepender te, garanto te. Tu e a tua família. Vão arrepender se para o resto da vida. Juro te.

Depois entrou no carro e foi se embora.

Depois de meses de espera, o tão aguardado final da trilogia O Século chegava finalmente... Não só por ser um dos meus autores de eleição, mas também por ter devorado por completo os volumes anteriores (apesar do seu tamanho), as expectativas para este último estavam elevadíssimas. 

Tal como os anteriores, também este foi completamente devorado (apesar das mais de mil páginas), aproveitando todos os momentos disponíveis para ler um bocadinho. Contudo, chegando ao final fiquei um bocadinho àquem das expectativas iniciais, facto que se foi desenvolvendo a partir dos 2/3 do livro. Se nos volumes anteriores acompanhávamos os personagens nas suas vidas quotidianas e estas estavam interligadas com os momentos históricos e chave do século passado, neste fiquei com a sensação que o autor tinha escolhido os momentos que ia incluir na narrativa e depois colocou lá este ou aquele personagem. 
Claro que o período da Guerra Fria é muito superior quer ao da I Guerra Mundial, quer da II, mas mesmo assim estava à espera de uma abordagem diferente... (Também percebo que incluir num livro acontecimentos de trinta anos de História é uma tarefa praticamente impossível).

Outra coisa que me deixou um pouco desiludida foi o facto de não se conhecer o desfecho de todos os personagens. Parece que alguns ficaram esquecidos no meio de tantas páginas e tanta política :(

É importante realçar que grande parte do livro decorre na década de 1960 e centra-se nas relações políticas nos EUA e URSS, com todas consequências boas ou más que daí resultaram. Um dos melhores momentos descritos é, sem dúvida, o discurso de Martin Luther King, I have a dream, nos degraus de Lincoln Memorial em Washington, em Agosto de 1963. 
Também o impacto que os loucos anos 60 e 70 tiveram nos jovens (sexo, drogas e rock'n'roll) foi bem feito, mostrando como a música e a política andam muitas vezes de mãos dadas. No entanto, depois foi-se perdendo um pouco o contacto com este estilo de vida e estas personagens, o que foi pena.

Apesar destes pequenos pormenores que me deixaram um sabor um tanto ou quanto agridoce, é um excelente livro e recomendo vivamente toda a trilogia (apesar do tamanho assustador dos três volumes). 
Há que ter em conta, tal como o próprio Follett me disse, que "foi uma trilogia difícil. Havia muita História a considerar antes de pensar nos personagens e eu estava determinado a não escrever um livro aborrecido".

terça-feira, 7 de outubro de 2014

7 on 7 Outubro


7 Blogs, durante 7 meses no dia 7 vão publicar
7 fotografias de um determinado tema

Depois de uma pausa forçada e de uns pequenos acidentes de percurso que ainda pretendo resolver de modo a trazer-vos o 7 on 7 do mês de Setembro, este mês está de volta e na data e tempo certos :)

E para que cada uma de nós pudesse dar asas à imaginação, o tema deste mês é:



Resolvi, para não publicar fotos sem nexo, fotografar algumas das minhas paixões...



Desde criança, que não resisto a um puzzle...




Através de Geocaching conhecem-se os mais variados lugares...




A minha companhia de viagem...




Primeiro estranha-se, depois entranha-se...




Nada melhor nas tardes de Inverno que um bom capuccino...




Impossível de resistir...




"Deixei o coração em Lisboa..."


Participantes

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Viagens (In)Esperadas: Balanço Final


Mais uma viagem que terminou... 
Mais um objectivo que não foi cumprido... Ou pelo menos não foi cumprido na totalidade ;)


O plano inicial era terminar Um Mundo Sem Fim e ler o máximo possível de No Limiar da Eternidade

Como já tinha começado a ler ambos os livros, o total de páginas é o seguinte:
  • No Limiar da Eternidade início na página 178 --> li até à página 382 (204 páginas)
  • Um Mundo Sem Fim (volume II) início na página 375 --> li até à página 424 (49 páginas).

Isto somado, dá um mísero total de 253 páginas (o mais baixo que me lembro numa maratona) :(

Espero, sinceramente, que para a próxima o resultado seja mais satisfatório :)

Viagens (In)Esperadas: desafios 7, 8, 9 e 10



Desafio 7: Chuva


Há quem goste mais ou menos dela, mas que ela é uma presença assídua dos nossos Outonos, disso ninguém tem dúvidas.
Qual o livro ideal para ler ao som da chuva?

Assim que vi este desafio veio-me logo um livro à cabeça...




Desafio 8: Bebida Quente

A temperatura baixa durante o Outono e convida-nos a bebidas mais quentes. 
Há alguma que te acompanhe nesta maratona? Qual é essa bebida?

Qualquer bebida quente é bem-vinda para acompanhar as minhas leituras, desde o café ao chá, passando pelo chocolate quente, o capuccino e tantas outras que só de pensar cresce-me água na boca...
Desta vez, e porque não tenho lido muito em casa, fiquei-me apenas pelo simples café...




Desafio 9: Manta

Quem não gosta de ler ao som da chuva, embrulhado(a) num manta bem confortável? 
Este é um dos prazeres que nasce Outono e se prolonga durante o Inverno.
Tem alguma manta que te acompanhe nas leituras de Outono? Mostra-nos!



Tenho muitas mantas e adoro ler enrolada nelas nos dias chuvosos e frios de Outono e Inverno. Era complicado colocar fotos de todas, até porque não as tenho todas comigo neste momento. 
Escolhi esta por andar comigo para todo o lado desde que me lembro... Tão depressa está na cama, como no sofá. Enrolada no chão ou em cima de uma cadeira... Acho que de todas, esta é "a minha manta" e tenho a certeza que vai estar sempre comigo...



Desafio 10: Guarda-Chuva

Elemento essencial nesta estação, já que a chuva aparece de vez enquanto. 
Dos livros que leste durante a maratona qual o livro que salvarias de uma chuvada? Caso só tenhas lido um, achas que esse livro merecia ser salvo da chuva ou não?


Apesar de ter andado com dois livros às voltas nesta maratona passei mais tempo a ler um do que o outro. No entanto, estou a gostar bastante dos dois (não fossem ambos de um dos meus escritores de eleição...) por isso, lamento, mas não consigo escolher apenas um e deixar o outro apanhar uma chuvada. Salvava os dois ;)

sábado, 27 de setembro de 2014

Viagens (In)Esperadas: desafios 4, 5 e 6


Desafio 4: Cinzento

Cinzento é a cor da modernidade e da Inovação.
Pensa nos livros que leste, ou estás a ler para a maratona, há algum que consideres ser inovador? Em que é que achas que o autor inovou?


Estou a ler dois livros nesta maratona e curiosamente são do mesmo autor e do mesmo género.
Entre os dois, o mais inovador será No Limiar da Eternidade porque é a conclusão de uma trilogia que, ao invés de se focar em determinados personagens, foca-se em famílias cuja evolução e desenvolvimento vamos acompanhando ao longo do século XX.
Considero-o inovador, na medida em que o autor consegue encaixar essas famílias (oriundas de diferentes países e aparentemente sem ligação entre si) nos acontecimentos mais marcantes do último século, chegando a colocar os personagens em contacto com figuras históricas.
Sem dúvida que foi um trabalho arriscado, que o próprio admitiu que talvez não fosse capaz de levar a bom porto, mas que resultou bastante bem.



Desafio 5: Vermelho

É a cor do fogo e da paixão, do entusiasmo e dos impulsos.
Nos livros que leste ou estás a ler para a maratona há alguma personagens que encaixe na simbologia desta cor? Qual é essa personagem?

Em ambos os livros existem variados personagens que encaixam nesta simbologia, por variados motivos.

Em Um Mundo Sem Fim, sem dúvida que a Caris, o Merthin, a Gwenda e o Ralph encaixam nesta definição. Cada um com a sua personalidade e com diferentes motivos e objetivos, todos eles acabam por ceder à paixão e se deixam levar pelo entusiasmo e pelos impulsos. Claro que, como em todos os bons romances, nem todos demonstram as melhores escolhas e por vezes os impulsos a que cedem não serão os melhores...

No Limiar da Eternidade, com todo o leque de personagens que um livro com mais de mil páginas apresenta, e tendo em conta que ainda estou praticamente no início, vou destacar o George e o Dimka. George é um advogado negro que conseguiu um prestigiado emprego junto de Bobby Kennedy e, com isso, um lugar privilegiado entre os homens fortes da Casa Branca dos anos 60. Dimka trabalha diretamente com Khrushchev, tendo assento nas principais decisões tomadas na URSS no início da Guerra Fria. Ambos, devido às posições de destaque que ocupam, são obrigados a limitar o entusiasmo e a controlar impulsos e até mesmo a paixão característica de jovens de vinte e poucos anos tem de ser mediada... 



Desafio 6: Folhas caídas

No outono as folhas abandonam o sossego e a proteção das árvores. Em sucessivas quedas, pintam o chão com as mais variadas cores, ao mesmo tempo que imprimem no ar uma sonoridade tão característica no momento em que passamos por cima delas e as fazemos estalar. É bom caminhar sobre as folhas e ver o vento brincar com elas…
Qual o livro que de bom grado lhe arrancarias umas folhas?

Isto é tão mau de dizer! Mas tirava de bom grado as folhas de uns quantos livros...
Assim de repente, lembro-me de A Relíquia (Eça de Queirós) e A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert (Joël Dicker).